No ginásio antigo eu fingia copiar matéria no caderno, mas minha mente cometia um pecado quase moderno: queria era ver Dona Helane desfilar seu verão eterno. Ela entrava na sala risonha com seus livros e seu colar, e a turma toda se componha tentando ao menos disfarçar… mas eu virava conjunção querendo nela me ligar. “Casem com as conjunções!”, dizia, num mantra de português; e eu, perdido em fantasia, pensava outra insensatez: queria casar era com ela desde a sétima talvez. Ah, Dona Helane passando no vestido floral serelepe… meu coração ia tombando feito aluno que se derrete; aquele parangolê colorido era aula prática da febre. Tinha cheiro de maçã nova, de diário recém-comprado, de recreio, chuva e prova, de sonho mal comportado; e eu só faltava conjugar “amar” no particípio apaixonado. Quando ela erguia uma maçã rindo pelos arredores, parecia de manhã a rainha dos professores; e eu, ex-aluno tardio, colecionando rubores. Hoje o tempo deu distância, barba, boleto e condução… mas bas...
> Valquíria de Xangô danada, > me amarrou num fio de luz, > com sainha encabulada, > que mais cega que reluz! > Galeguinha do Seridó, > flor do agreste sem jardim, > era só mais um xodó — > mas só eu que via assim. > Portão cheio de criança, > um no bolso, dois no pé... > Teu borogodó balança > mais que a rede de Canidé! > Faltam os papos que não demos, > risos bobos sem ter fim... > Ai, Celinha, nem sabemos > o que havia por mim! > Short clochard e saia torta, > dos desejos que passei... > Tu danava e eu na porta, > vendo tudo que não sei! > Dizem que gostava 'por trás'... > e eu só dizia: “oxente!” > Que culpa tenho se a paz > me vinha por tua frente? > Era linda, era miragem, > era mirrada ilusão, > oásis em paisagem > de um deserto coração! > Teu riso com as parentas > era o sino do lugar. > Até falando das tenta, > tu sabia encantar! > Sumiu, musa potiguar, > do portão pra...