Ah, Nilcea esse teu borogodó...! Localizado logo ali na esquina do pecado E que faz de mim seu poeta e 'filho' apaixonado! Ou um pobre diabo me contentando em ser só mais um vizinho afastado! Ah... Isso ou aquilo que não sei explicar o que é...! Talvez seja o mesmo que parangolé...! Como apelido os trajes que te revestem, cobrem, 'despem' e também te fazem essa mulher! Borogodó que inspira... Que rima com o suor que transpiras! Que não fede, mas cheira: é perfume de fulô de ninfeia brejeira! Tem um 'quê' de não sei o quê, o ó de um louvor, 'dó' de trovador e menos de mim! Viço de uma fruta madura, gosto de uma proibida, dengo e resultado de uma linda mistura! BOROGODÓ quando sais no portão, sob aquele vestidão, num short... Quando entras e a perco de vista, mas não da imaginação! De mulher do 'zotro', 'na pista', na calçada ou se tiver por aí num terraço! Que trazes do Engenho da Rainha, nos pés(ou canela), de Angola, cabana 'dos Barr...
No ginásio antigo eu fingia copiar matéria no caderno, mas minha mente cometia um pecado quase moderno: queria era ver Dona Helane desfilar seu verão eterno. Ela entrava na sala risonha com seus livros e seu colar, e a turma toda se componha tentando ao menos disfarçar… mas eu virava conjunção querendo nela me ligar. “Casem com as conjunções!”, dizia, num mantra de português; e eu, perdido em fantasia, pensava outra insensatez: queria casar era com ela desde a sétima talvez. Ah, Dona Helane passando no vestido floral serelepe… meu coração ia tombando feito aluno que se derrete; aquele parangolê colorido era aula prática da febre. Tinha cheiro de maçã nova, de diário recém-comprado, de recreio, chuva e prova, de sonho mal comportado; e eu só faltava conjugar “amar” no particípio apaixonado. Quando ela erguia uma maçã rindo pelos arredores, parecia de manhã a rainha dos professores; e eu, ex-aluno tardio, colecionando rubores. Hoje o tempo deu distância, barba, boleto e condução… mas bas...