Pular para o conteúdo principal

POESIA AFRICANA


Na verdade todos nós viemos da África...
Viemos em grandes navios e em navegações
Que sempre foram ‘comerciais’, erejadas
Ou guiadas pelos mesmos comerciantes
Dos navios negreiros!
Somos africanos separados por um oceano
E desde que se deu a separação dos continentes
Na antiguidade!
Somos africanos como o nosso fubá, comendo angu 
Tomando canjica, comendo jiló e tutu!
A África que tá na pele, na veia, na língua, na alma
E em todo redor!
Como o moleque que solta sua pipa e joga a marimba
E com as vizinhas quando fazem suas candongas!
África com os libambos pelos bares tomando suas jeribatas!
De malandros detidos com suas diambas e outros capangas
Com suas muambas!
 África desde suas cabanas de barro às nossas senzalas, favelas
E apartamentos luxuosos de quem é cheio da bufunfa ou jibongo!
Mesmo com o seu cabelo liso ou alisado, sua pele branca ou com bronzeado,
Somos todos africanos como a tanga na loirinha, a bunda
Da linda negrinha e os búzios de Ifá encontrados pela orla!
Quando se faz macumba, mandinga, canjerê ou catimbau...!
Somos africanos como o mais antigo de nossos ancestrais,
Africano como o meu, o seu e todos os outros orixás!
Quando dependo de algum carimbo de algum serviço público,
Quando me surge um calombo após a picada de algum marimbondo!
Sou um poeta africano com poemas que saem do meu orí...!
É tudo africano se formos para pra banzar...!
Somos descendentes e reencarnações(para quem acredita)
De escravos, reis, rainhas e divindades como o samba, o batuque
E o dengo da mulata!
Como a Bahia, seu acarajé, vatapá, dendê, munguzá e outros quitutes!
Dos cafundós da África...!
Somos africanos quando fazemos e recebemos cafuné, quando pegamos caxumba,
Entramos em alguma quizila e saímos de tudo isso com nossa fé!
Viemos da África histórica e de Zumbi, da África poética no navio negreiro de Castro Alves!
África dos acordes do blues do Mississipi, do rock ‘n’ roll aos esplendores do nosso carnaval!
Do funk nos morros e da ginga da capoeira e berimbau!
Enfim...temos a África em nosso sangue, costumes, tradições, cultura, cor e coração!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

INVERNO DE '07'

E lá estava você... No lugarejo que então sempre esteve E até eu te perceber! - Poesia aos seus pés não se 'disteve'! Me movendo a escrever... O deslumbre que até hoje se manteve...! E insiste em me envolver! De 'mini' mesmo no inverno que teve! - 'Ave pernalta' tão linda de se vê! Meu amor não se conteve!

'FLERTE ALGORÍTMICO'

Vi tua vida em janelas quadradas, algoritmo gentil me trouxe você — como quem assopra cartas embaralhadas e entrega o naipe que não se pode prever. Não te conhecia, mas clicava em tua alma. Teu riso num parque, teus pais no Natal, teu corpo em ginástica, teu dia banal... E eu ali, pixel a pixel, invisível e presente — como espírito da máquina, fantasma obediente. Puxava assunto, às vezes bobo, às vezes doce, querendo só ficar perto. Tive a ousadia de sugerir um post: "Você nesse vestidinho... tomando um milk shake — com um céu lilás por perto..." E tu sorriste, mulher de fibra e filtro, disseste "quem sabe", como quem dança no abismo. Me empolguei: e se um dia...? E se o algoritmo fosse cupido, e os dados virassem destino? Mas então... tua timeline silenciou. Não houve briga, nem adeus, só o sumiço — e aquele perfil estático como mausoléu. Fiquei olhando dias, como quem assiste ao fim de um seriado sem saber se era ficção ou realidade. Hoje, aprendi: que o feed é um...

LILI

'Sob um céu que se curva ao pasto molhado, lá estava Lili, Elisângela Aparecida, a prima postiça de riso dourado, de estada incerta, viagem curtida'. Cruzava a cidade do interior,  tão distante,por trilhos reativados de 'Ritiro'  ao chão,sonhando em pedras,  no leito errantedo Caminho da Pedra Preta, ilusão. Com traços de gueixa e origem africana, ela dançava entre barrancos ribeirinhos, nas margens do rio amarelo insana, num amor platônico de desalinhos. Um dia, sob um arco-íris tristonho, me vi no delírio de um pasto vazio. Ali, num sonho, no tempo bisonho, Lili surgiu, amor sem estio. Microssaia blue jeans, mini jeans justa, coxas à mostra, feitiço e furor. E sem perceber, num descuido à custa, a calcinha ao alcance, oferta do amor. Mas eu, Rei de Sião, de alma selada, seguia distante, na minha indiferença. Entre garças em bando, na terra lavada, fugindo ao seu trem doido de crença. Na casa dos meus tios, ela rondava, viola caipira tangia no fundo, o rock rural na sa...