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ODE A UMA ANÔNIMA

Seria mais uma ida àquele postinho...!

Para me vacinar contra uma doença e 'à contragosto'!

Até que me deparei com ela... e aquelas costas dadas para mim!

Blusão preto, saia branca com estampas étnicas(pra combinar com aquela fila indiana), 

calcinha provavelmente bege, rendada, furada, cavada,  freada ou 'nenhuma'... talvez fosse alérgica a coitada!

Deveria ser rica, ter alguma condição, mas ali estávamos na mesma fila, procurando o mesmo serviço, no mesmo nível(de ameaça), 

buscando proteção; era mais uma pessoa ali, respirando o mesmo ar contaminado e com a mesma apreensão!

Já ia me esquecendo: era morena clara, tinha um rosto comum, cabelo na cabeça e um celular na mão que nem todo mundo!

E não sei o que me deu...!

Aquele amor à distância de 'umas 5 ou 4' pessoas na minha frente!

Ela estava ali, também com medo de um 'simples mosquitinho', não querendo 'pegar', mas sem saber que me pegou!

Será que ela ainda ia pegar um ônibus com aquela pequena, aquela máquina de churros, sem fundilhos, sem mim ou sem um marido?!

Esse então chega...! 

Trazendo mais um filho, me trazendo um 'genérico de Semancol... e fazendo com que se fossem todas as minhas chances 'impossíveis'!

Mas quem disse que ele era o marido?!

Talvez fosse um 'irmão' que ficou cuidando daquele outro filho enquanto ela estava ali!

O 'irmão-marido' vai embora e nos deixa voltar para o meu delírio 'febril-cafajeste'!

Será que ela ouve bossa nova, lambada, thrash metal ou o funk proibidão 

que um moleque que passou próximo a fila cantou perto dela sem nenhum pudor?!

Será que ela ia para uma outra fila quando saísse dali?!

Queria mesmo que a fila não andasse para ficar admirando-a...

Ela também tinha os seus problemas, sua vida, contas pra pagar, marido pra cuidar, chupar; e tudo que só uma bailarina não tem!

'Quem nunca'... quem a viu, quem não pegava, 

Qual o seu partido...?! 

Talvez ela fosse de esquerda, o lado onde fica o nosso coração!

Só mais uma pessoa naquela fila, 'um número' para se registrar com aquela caderneta, alguém, o mundo para alguém... 

tinha cara de 'Márcia', 'Fernanda', mas também poderia ser 'Boanérgia'...!

Estávamos ali para nos vacinar, mas totalmente exposto ao vírus do amor ou de uma 'paixonite aguda' que sempre estão no ar!

Canonizei em musa uma mera anônima e que de tão mortal também estava ali preocupada com a própria saúde!

Até que 'tudo acaba' quando chega a sua vez de ser atendida e de arregaçar aquele blusão preto para receber no braço um antígeno em '50 tons de amarelo'!

Aguardo ansioso a próxima campanha e próxima febre, ameaça ou 'simples alarde' para reencontrá-la com esse mesmo blusão preto e saia branca 

para se prevenir de febres amarelas, claras, escuras, ocre, 'sol da toscana'... laranja, 'Laranjeiras do Sul' ou sejam lá quais forem as suas cores!

Guardarei o seu lugar no meu coração... ou a deixarei passar na frente de outras musas!

Já tinha 2 filhos, mas aparentava ter apenas quarenta e poucos anos...!

Queria ser o seu filho na barra daquela saia, seus germes, bactérias, anticorpos... o escarro naquela boca que também beija!

Por ela levaria até injeção na testa...!

Nem sei se é viva... mas ao sair dali a levei para o meu íntimo junto com outros pensamentos impróprios e próprios de uma excitação!

Mas talvez 'não era ela' e sim aquele blusão combinando com a saia, aquela elegância, aquele esplendor, aquelas costas pra mim ou o seu 'borogodó alheio'!

Valeu cada minuto em que fiquei ali em pé ouvindo aquelas reclamações, lorotas, tosses... valeu 'cada novas varizes', desespero, 'afobação' inútil 

e aquela 'terrível picada'!

Delirando sem ter a febre 'fiz amor com ela ali mesmo'!

Sem o seu marido nunca saber do que nunca rolou entre nós naquela fila, naquele gramado, sobre o nosso passeio pela orla, a viagem até Ouro Preto, Itaperuna, Miraí... 

Boso Hantou, Shangri-la, o 'lugar que for', e eu não pudesse ir sem antes me vacinar! 

E 'fomos' sem sair dali, e em 'apenas' um pouco mais de uma hora, parados em pé naquela fila que quase não andava!

Então(finalmente) também chega a minha vez... e aquela agulhada me desperta ou cura daquela febre da cor da paixão!

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