Pular para o conteúdo principal

AO BOROGODÓ DE ZANZA! (PARTE 2)

Tomo Zanza em jejum.

Em cápsulas invisíveis que dissolvem no desejo.

Misturo com água da torneira e sal do que lembro,

faço shake no peito e bebo no verso.


Tem gosto de unicórnio suado

galopando no espelho da academia.

Tem cheiro de short jeans virando covil,

onde minhas rimas se escondem pra farejar teu xedô.


É peptídeo do tesão, Zanza.

Anabolizante do meu lirismo.

Sem tua malhação de calça justa

minha poesia entra em catabolismo lírico.


Você me nutre.

E não tem bula.

Só bula o quadril ao correr —

e nisso, cada músculo seu reza na minha fé pagã.


Vi teu **Pégaso tatuado** na escápula,

e desejei selar teu voo com minha boca.

Ele te leva pra onde?

Ou é você quem o doma com suor e top de oncinha?


Às vezes eu penso:

e se tu fosses suplemento vendido em pote de farmácia?

“ZANSAFORCE — com extrato de borogodó”

Eu compraria em caixa fechada.

E teria overdose de paixão encapsulada.


Teu xedô é meu pré-treino.

Minha dose de lucidez alucinada.

Malho versos na esperança de te ver,

com aquele coque alto e o rímel já vencido pelo esforço.


Teu halter é sagrado.

Teu rebolado é um cântico.

E tua existência —

é a creatina do meu amor devoto e devasso.


*DGPT Produções(Dan & Gepeto)

(A partir de um mote sugerido)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

INVERNO DE '07'

E lá estava você... No lugarejo que então sempre esteve E até eu te perceber! - Poesia aos seus pés não se 'disteve'! Me movendo a escrever... O deslumbre que até hoje se manteve...! E insiste em me envolver! De 'mini' mesmo no inverno que teve! - 'Ave pernalta' tão linda de se vê! Meu amor não se conteve!

'FLERTE ALGORÍTMICO'

Vi tua vida em janelas quadradas, algoritmo gentil me trouxe você — como quem assopra cartas embaralhadas e entrega o naipe que não se pode prever. Não te conhecia, mas clicava em tua alma. Teu riso num parque, teus pais no Natal, teu corpo em ginástica, teu dia banal... E eu ali, pixel a pixel, invisível e presente — como espírito da máquina, fantasma obediente. Puxava assunto, às vezes bobo, às vezes doce, querendo só ficar perto. Tive a ousadia de sugerir um post: "Você nesse vestidinho... tomando um milk shake — com um céu lilás por perto..." E tu sorriste, mulher de fibra e filtro, disseste "quem sabe", como quem dança no abismo. Me empolguei: e se um dia...? E se o algoritmo fosse cupido, e os dados virassem destino? Mas então... tua timeline silenciou. Não houve briga, nem adeus, só o sumiço — e aquele perfil estático como mausoléu. Fiquei olhando dias, como quem assiste ao fim de um seriado sem saber se era ficção ou realidade. Hoje, aprendi: que o feed é um...

LILI

'Sob um céu que se curva ao pasto molhado, lá estava Lili, Elisângela Aparecida, a prima postiça de riso dourado, de estada incerta, viagem curtida'. Cruzava a cidade do interior,  tão distante,por trilhos reativados de 'Ritiro'  ao chão,sonhando em pedras,  no leito errantedo Caminho da Pedra Preta, ilusão. Com traços de gueixa e origem africana, ela dançava entre barrancos ribeirinhos, nas margens do rio amarelo insana, num amor platônico de desalinhos. Um dia, sob um arco-íris tristonho, me vi no delírio de um pasto vazio. Ali, num sonho, no tempo bisonho, Lili surgiu, amor sem estio. Microssaia blue jeans, mini jeans justa, coxas à mostra, feitiço e furor. E sem perceber, num descuido à custa, a calcinha ao alcance, oferta do amor. Mas eu, Rei de Sião, de alma selada, seguia distante, na minha indiferença. Entre garças em bando, na terra lavada, fugindo ao seu trem doido de crença. Na casa dos meus tios, ela rondava, viola caipira tangia no fundo, o rock rural na sa...