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ODE À ANNA JATOBÁ



Será que foi você, jovem, mamãe
E árvore de madeira útil,
De família de classe média
E acima de qualquer suspeita?!
Ou aquela madrasta má que adoramos idealizar
Nos contos de fadas e novelas,
Protagonizando uma tragédia que envolvia um anjo
Arremessado de um sexto andar?!
Foram vocês selados por uma jura
E que, motivados pela loucura, reescreveram suas vidas comuns
Com a tinta negra desses jornais!
Não foram vocês que voltavam de um shopping,
Celebrando mais um sábado como tantos outros anônimos e felizes!
Não foi você que chorou, não foi você que jurou,
Não foi você com aquela blusa de Mickey e nem você
Em seu papel de papai!
Carolinas que choraram pelo corpo de um anjo caído
Jatobá de madeira de lei, encarcerada, decepada e "inútil"
Como uma figueira amaldiçoada por Jesus!
Não foram vocês naquele sofá, confortáveis e inconsoláveis,
Tentando evitar o inevitável e explicar o inexplicável!
Foram vocês no desconforto da caçapa daquele camburão,
Seguindo pela vida na contramão, a caminho de uma condenação
Vários dias de um julgamento que na verdade não caberia a nós
Vários dias para se concluir o inacreditável e a inadmissível
Verdade tão atroz!
Não foi você em quem por um minuto acreditei na inocência!
Foram vocês condenados a trinta e alguns anos
Enquanto aquele pequeno anjo, desfalecido e interrompido,
Agora sorri na eternidade!

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