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COMO SE SABE QUE SE É POETA?!


Como se sabe quando a gente é poeta,
que o que escrevemos é poesia
e que sabemos o que falamos quando o tema é amor?!
Que são válidas nossas impressões e experiências,
Que podemos levá-las para um livro, publicá-las
e alcançar um grande ou algum público?!
Quem foi que disse que sou poeta?!
De onde tirei essa ideia, até onde vou com isso
e o que isso vai me render?!
Um poeta de verdade não precisa de fama, de grana,
De prêmios ou qualquer necessidade básica!
Ele vive dos próprios sonhos, de brisa, divide o néctar
com seus deuses e demônios e compreende a realidade
por ele sempre transformada em poesia!
Um poeta não aprendeu a ‘poetizar’ numa escola!
Ele já traz isso consigo, zomba da morte, brinca com a sorte...
de amar e dá uma utilidade pro umbigo!
É um fingidor, um menestrel, um bufão!
Como se identifica um poeta que se identifica com o ‘imaginário’,
como ele e sua inspiração vêm,
que língua ele fala além da ‘universal’ e o que propõe
além de seus versos e sua verve?!
 Um poeta é a própria poesia que não fede e nem cheira,
mas se fosse o caso, teria aroma de rosa, orvalho, narguilé,
saia de normalista, borogodó e parangolé!
A poesia existe desde que o mundo é mundo pra mim,
desde que me entendo por gente, não sabia, não entendia o que era poesia,
e não sabia que já a fazia!
Sou afilhado de Xangô, 'filho de Apolo', ‘discípulo’ de Walt Whitman, Timothy Leary e outros gurus...
ainda não sei o sentido da vida, mas sempre soube amar!
Como se nomeia um poeta, até que patente vai, qual é seu cargo, classe social,
tipo sanguíneo, como se 'contrai poesia' e como um poeta se destaca numa multidão?!
O poeta está naquele que vive seus sonhos e morre de amor!
Não sabe escrever o que sente, mas deveras sente o que escreve!
É quem rima e tem seus versos livres dentro da harmonia da melodia dos pássaros!
Tem asas que o levam a lua, tem qualquer pátria pela qual ele morra e renasça,
E tem uma deusa pra chamar de sua musa e que só se manifesta nua!

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