Pular para o conteúdo principal

DISTOPIA


Em distopia o sol até brilha,
mas ninguém liga!
Os dias e as vidas são desperdiçadas com lamúrias
feitas mesmo pelos menores dos problemas ,
A noite diferente do dia onde faltou água, se falta luz,
e quando chega(para alguns) esta ainda é bem pior do que foi o dia!
Não existe nada tão ruim que não possa piorar, e o mundo
é totalmente de cabeça para baixo!
Lá as leis não funcionam ou 'funcionam', mas só para alguns!
Quem governa, que deveria dar o exemplo, é o primeiro a roubar,
e onde deveria existir o Estado, quem controla é o crime
que é bem mais organizado!
Distopia é totalmente o oposto do que sonhou Thomas More!
Também é uma ilha, mas é rodeada por um mar de lama!
É uma República de ‘quarto mundo’ onde tudo e todos estão 'no limite'!
Situada na rua dos bobos, onde não canta o galo nem a galinha...
num ponto sem volta, e é a capital de um Estado de Exceção!
Lá as guerras e brigas se dão por qualquer motivo(quando existe algum!)
E o único acordo que se assina é um acordo de ‘falsa paz’!
É onde o amor de todos já 'congelou' e todos também são frios e calculistas!
E é onde os maiores medos e perigos são reais, e ao invés de seus sonhos,
são seus pesadelos que se realizam!
Lá não existe amor verdadeiro a não ser pelo dinheiro!
O romantismo faliu e as pobres donzelas evitam sair e até pegar condução(precária)
devido a quantidade de tarados à solta, liberados por juízes, e que levantam saias
como se fossem ‘véus’!
Não tem hospitais, remédios, saneamento básico, infraestrutura, das poucas repartições
públicas que funcionam, seus funcionários trabalham com má vontade e falta de educação,
 já que lá também não há escolas!
Lá é onde as crianças cometem crimes e os maiores são suas maiores vítimas!
Lá não existe tráfico, assalto, sequestro e outros crimes sem mortes!
Lá o que vale é a lei da selva, do mais forte, de Murphy, Gerson, do mais esperto
e do menos sábio!
O que deve ser feito só fica no papel, na teoria e a única teoria posta em prática é a do caos!
Lá a bruxa está solta assim como o fantasma da inflação e outros assombros!
É onde tudo contribui para o bem de quem pode pagar, tudo é caro, os juros são altos
e o dinheiro não rende!
Distopia também fica numa realidade cruel, lá não se vive, sobrevive...
lá ainda é 1984 e dois mais dois são ‘cinco’!
É onde regras de etiqueta são substituídas por estupidez,
ignorância, a bondade pela intolerância e o diálogo talvez nunca existiu!
Lá as pessoas gostam muito de fazer o que não gostariam que fizessem com elas!
É onde o bom senso não ficou pra todo mundo, a inteligência é ignorada e desconhecida,
e a gentileza não gera gentileza e nem significa nada!
As drogas mais pesadas, o aborto(indiscriminado) e o estupro(no caso do uso de micro-saias) são legalizados!
Lá ninguém quer saber de nada, respeita nada e a lógica é a da insensatez!
Distopia não foi esquecida por Deus por que lá ele nunca existiu!
Seu governo bombardeou Pasárgada e sequestrou os poetas para que estes trabalhassem
nos discursos hipócritas de seus líderes tiranos!
Distopia é uma cidade muito longe daqui, que tem problemas que parecem os problemas daqui!
Lá nada funciona e tudo vai de mal a pior!
Mas dizem que nem sempre foi assim!
Dizem que tudo começou ou ‘acabou’ quando todos deixaram de fazer a sua parte,
de acreditar, de lutar, e mais do que tudo isso, de amar!
E sendo assim, talvez Distopia tenha jeito, e se tiver, poderemos copiar o modelo
antes de ver tudo por aqui também se acabar!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

INVERNO DE '07'

E lá estava você... No lugarejo que então sempre esteve E até eu te perceber! - Poesia aos seus pés não se 'disteve'! Me movendo a escrever... O deslumbre que até hoje se manteve...! E insiste em me envolver! De 'mini' mesmo no inverno que teve! - 'Ave pernalta' tão linda de se vê! Meu amor não se conteve!

'FLERTE ALGORÍTMICO'

Vi tua vida em janelas quadradas, algoritmo gentil me trouxe você — como quem assopra cartas embaralhadas e entrega o naipe que não se pode prever. Não te conhecia, mas clicava em tua alma. Teu riso num parque, teus pais no Natal, teu corpo em ginástica, teu dia banal... E eu ali, pixel a pixel, invisível e presente — como espírito da máquina, fantasma obediente. Puxava assunto, às vezes bobo, às vezes doce, querendo só ficar perto. Tive a ousadia de sugerir um post: "Você nesse vestidinho... tomando um milk shake — com um céu lilás por perto..." E tu sorriste, mulher de fibra e filtro, disseste "quem sabe", como quem dança no abismo. Me empolguei: e se um dia...? E se o algoritmo fosse cupido, e os dados virassem destino? Mas então... tua timeline silenciou. Não houve briga, nem adeus, só o sumiço — e aquele perfil estático como mausoléu. Fiquei olhando dias, como quem assiste ao fim de um seriado sem saber se era ficção ou realidade. Hoje, aprendi: que o feed é um...

LILI

'Sob um céu que se curva ao pasto molhado, lá estava Lili, Elisângela Aparecida, a prima postiça de riso dourado, de estada incerta, viagem curtida'. Cruzava a cidade do interior,  tão distante,por trilhos reativados de 'Ritiro'  ao chão,sonhando em pedras,  no leito errantedo Caminho da Pedra Preta, ilusão. Com traços de gueixa e origem africana, ela dançava entre barrancos ribeirinhos, nas margens do rio amarelo insana, num amor platônico de desalinhos. Um dia, sob um arco-íris tristonho, me vi no delírio de um pasto vazio. Ali, num sonho, no tempo bisonho, Lili surgiu, amor sem estio. Microssaia blue jeans, mini jeans justa, coxas à mostra, feitiço e furor. E sem perceber, num descuido à custa, a calcinha ao alcance, oferta do amor. Mas eu, Rei de Sião, de alma selada, seguia distante, na minha indiferença. Entre garças em bando, na terra lavada, fugindo ao seu trem doido de crença. Na casa dos meus tios, ela rondava, viola caipira tangia no fundo, o rock rural na sa...