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COM MOLAS EM MEUS PÉS

Ao primeiro sopro de quimera 

Fuzis e elefantes vindos advindos e bem vindos 

Da indochina Indonésia de vácuo e de avião 

Um ar rarefeito dá sopro de vida a multidão!

Kandahar onde quero estar com molas em meus pés... 

Imito cangurus de outros desertos 'mais austrais' 

Seremos índios nus e tão lindos em outros carnavais 

Ancora nas praias onde despojadas... 

Moras, brinca com as ondas sob o luar 

As bombas caem do céu e a explosão é em arroubo por onde não me alcançam generais, 

Sírios, belgas ou de onde houver falsa paz 

Também vou andar pela orla das praias de outras caravelas 

Conhecer outros conquistadores, colonos ou colonizadores 

Me tornar pescador e pregar a palavra querendo ou não o mundo me ouvir!


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INVERNO DE '07'

E lá estava você... No lugarejo que então sempre esteve E até eu te perceber! - Poesia aos seus pés não se 'disteve'! Me movendo a escrever... O deslumbre que até hoje se manteve...! E insiste em me envolver! De 'mini' mesmo no inverno que teve! - 'Ave pernalta' tão linda de se vê! Meu amor não se conteve!

SONETO A RENATA DE MARECHAL...!

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ZANZA & BELERO

Lá no sub-bairro entre viela e varal, onde o céu tem mais fio que firmamento, há uma moça que sobe num vendaval todo fim de tarde, sem um lamento — Zanza, a dona de casa que voa no tempo. Belero a espera no terraço, rilhando o casco alado no azulejo gasto. É branco, reluzente, de prumo brando — pégaso vindo, talvez, de algum pasto entre Helicon e os quintais do Encantado. As comadres param o mexido na panela: — Vixi, lá vai ela de novo na asa! — Não é aquela a mulher do Protético, a bela? — Ele deixa, mas disse: “Não passa de casa…” Só que Zanza some no céu feito brasa. Prometeu voar só até a padaria, mas deu voltas ao mundo num trote leve: salta arco-íris, faz curva em nuvem fria, grita “Arroboboi!” pra Oxumarê, tão breve, e volta só depois que o sol já se atreve. Apolo, dizem, mandou-lhe bilhetinho — Hélio piscou da carruagem flamejante. Ela voa entre astros com jeitinho de quem pendura roupa e, num instante, vira dríade em amoreira ofegante. Talhada a malhação, como Salmacis formosa...