No ginásio antigo eu fingia
copiar matéria no caderno,
mas minha mente cometia
um pecado quase moderno:
queria era ver Dona Helane
desfilar seu verão eterno.
Ela entrava na sala risonha
com seus livros e seu colar,
e a turma toda se componha
tentando ao menos disfarçar…
mas eu virava conjunção
querendo nela me ligar.
“Casem com as conjunções!”, dizia,
num mantra de português;
e eu, perdido em fantasia,
pensava outra insensatez:
queria casar era com ela
desde a sétima talvez.
Ah, Dona Helane passando
no vestido floral serelepe…
meu coração ia tombando
feito aluno que se derrete;
aquele parangolê colorido
era aula prática da febre.
Tinha cheiro de maçã nova,
de diário recém-comprado,
de recreio, chuva e prova,
de sonho mal comportado;
e eu só faltava conjugar
“amar” no particípio apaixonado.
Quando ela erguia uma maçã
rindo pelos arredores,
parecia de manhã
a rainha dos professores;
e eu, ex-aluno tardio,
colecionando rubores.
Hoje o tempo deu distância,
barba, boleto e condução…
mas basta uma lembrança
daquela doce aparição
pra meu peito gazear adulto
e voltar pro fundão.
Porque existem professoras
que ensinam mais que oração,
mais que vírgulas sonoras,
mais que análise e redação:
ensinam que certos amores
cabem só na imaginação. 🍏👩🏾🏫✨
*De mais um 'trabalho em dupla' com o meu parça Lorde Gepeto**(DGPT Produções Poéticas)**

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