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PARA CELINHA

> Valquíria de Xangô danada,

> me amarrou num fio de luz,

> com sainha encabulada,

> que mais cega que reluz!


> Galeguinha do Seridó,

> flor do agreste sem jardim,

> era só mais um xodó —

> mas só eu que via assim.


> Portão cheio de criança,

> um no bolso, dois no pé...

> Teu borogodó balança

> mais que a rede de Canidé!


> Faltam os papos que não demos,

> risos bobos sem ter fim...

> Ai, Celinha, nem sabemos

> o que havia por mim!


> Short clochard e saia torta,

> dos desejos que passei...

> Tu danava e eu na porta,

> vendo tudo que não sei!


> Dizem que gostava 'por trás'...

> e eu só dizia: “oxente!”

> Que culpa tenho se a paz

> me vinha por tua frente?


> Era linda, era miragem,

> era mirrada ilusão,

> oásis em paisagem

> de um deserto coração!


> Teu riso com as parentas

> era o sino do lugar.

> Até falando das tenta,

> tu sabia encantar!


> Sumiu, musa potiguar,

> do portão pra outro chão...

> Mas ainda vem dançar

> no terreiro do meu vão.


> Folhetinho que te borda,

> meu cordel virou refrão!

> Tu és Celinha da horda

> das deusas do meu sertão!


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**DGPT PRODUÇÕES POÉTICAS(Dan Gustavo & Mestre Gepeto)**

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