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A DAMA DO POSTINHO

No leito asséptico do posto de saúde, o destino me deu uma febre incomum: não era dengue, nem gripe, nem peste, mas uma 'coisa' que vinha do charme dela. A dama do postinho, altiva e distante,  de blusão negro e 'saia ancestral', desenhava no ar sua forma vibrante, qual deusa asteca num rito carnal. Eu cheguei e a vi, de costas, sem pressa, e um calafrio me injetou um delírio, seu bumbum arrebitado — obra-prima impressa, tornou-se meu culto, meu sonho, meu círio. Bumbum talhado por mãos divinas, arrebatador como um sol equatorial, cheio de curvas, certezas e rimas, um altar redentor, um chamado carnal. A enfermeira chamava, dizia "É só uma picada!", mas meu sangue já era fervura e vertigem. A dama esperava, alheia e casada, enquanto eu tremia num surto de esfinge. No alto, o mastro da bandeira tremulava, seu tecido dançava, um convite indecente... Ah, que vontade de ser seringa encantada pra injetar-me inteiro em seu corpo febrilmente! O mundo girava — era a v...

ZÉ CAMBITO & CATITA CONTRA O DRAGÃO DA REALIDADE

'Zé Cambito, cangaceiro poeta, e sua amada Catita, musa pandeirista do além, seguem voando num cavalo entalhado de xilogravura com a missão de semear poesia onde a dor seca a alma.' No lombo de um cavalo de crina toda entalhada, voavam pelo Nordeste Catita — a enamorada — e Zé Cambito, poeta, com alma encantada e armada. Vinham de longe, de longe, dos confins do não-lugar, levando verso e miragem pro sertão ressuscitar; plantando flor no lajedo, botando o mundo a sonhar. Por cima da Caatinga de espinho, sede e calango, pairavam feito assombração com aura de orixango, até que o chão se estremece com um rugido mais que bangu. De dentro de um mandacaru sai um bicho desgrenhado — era um dragão sem escama, ressecado e revoltado: um calango da miséria pelo sol amaldiçoado! “Não passa ninguém aqui!” — bramou com voz de trovão — “sou o Dragão da Verdade, sou a Seca e o Coração, queimando a rima do povo com a chama da privação!” Catita tirou o pandeiro, Zé Cambito afinou o tom: “Pois se...

PORPHYRIOS, O FLAUTISTA PÚRPURA

Vindo das dobras de Om, onde o tempo dança com bruma, sopra a flauta em pungi-tom Porphyrios — de aura nenhuma, de toda cor e nenhuma espuma. É filho bastardo de Pan, afilhado maroto de Exu, com sopro que morde e afaga, e risca no vento um tatu que gira, entontece e divaga. Já tocou pro Napoleão com pife de bambu selvagem, e fez Lampião dançar baião no topo de uma laje em miragem com um panda num 'pagode' chinês. É pago com vento de outono, com brisa que sopra do nada. Fez solo de aurora boreal na tenda da Meia-Noite encantada com a trupe de circo e pecado. Sua flauta é feita de doido, de madeira que ri e delira. Encanta sereia e viúva, invade a saia que gira no tom marrom de Tia Vanda na lira. Já deu aula de assobio aos caiporas e anjos do cio, pôs clave de sol no ultravioleta e ensinou harpa no cio frio do Mestre dos Sonhos em vendaval quieto. Foi trilha de cena softcore e fundo azul de compacto infantil. Nos 'lobos do cérebro' tocou jazz, no ventre do inferno: um fad...

MODINHA PRA DARA

Galega de olhos da tarde, Dara do cheiro no ar, dançava com lobisomem nas lendas do teu lugar... — E eu ia só pra te olhar. Pequena e já feiticeira, lembrancinha de viagem, guardada entre os bombons da infância em sua embalagem... — e um desejo em camuflagem. Tua voz rimava 'xeirinho' com vento da grama e flor, e eu, primo em fogo calado, tropeçava no pudor... — mas sonhava teu sabor. Menina de riso bento, de saia com roda e cor, tu eras minha especiaria do tempo sonhador... — e eu, teu colecionador. Mas cresceu a brincadeira e tu viraste mulher. E eu guardei minha quimera num canto que ninguém vê... — com saudade de você. Galega, flor de interior, xedô da alma e do chão, te levo feito santinha no altar da recordação... — e um “cheirinho” no coração. *Da dupla Dan & Gepeto!

MAIS UM SONETO A 'BIATRIZ'!

De origem coimbrã a 'especiaria'! Fado que o vate canta de alegria! Tágide carioca ou de Luís! O que a carta de Pero Vaz não diz! Gajeiro grita, e até o 'loiro' assobia...! Se avistam a beleza da tal 'Bia'! Que até se compara à modelo e atriz! 'Jana', mas se prefere, Beatriz! Sua beleza herdou da minha dinda De um mar turquesa e azul que não se finda... Te admirar, um 'pecado' que cometo! Pele d'alvo horizonte e de Coimbra! Pra Bia ou Beatriz mais um soneto... Quiçá o último, talvez... mas não prometo!

'POESIA PORTUGUESA'(QUADRAS)

                  I Primo, o verão que se viu...! Já foi 'xará do Brasil'... Mãe do George e da Bia! Minha dinda e poesia!  II Nas roupas que nos doava... Lindas especiarias! Que na rota dessas 'vias' O seu olor exalava!    III Cada verso vale a pena... Navegar preciso e tal... Sem ser Colombo ou Cabral! - Coimbrã daqui 'da gema'! -    IV Musa de esplendor galego...! Que até eu fico apaixonado! Mas pra não acharem 'pecado' Que é 'amor de afilhado' alego!   V Talvez ela não sabia... De tão caridosa e boa! Roupa íntima não se doa; Que pode 'dá' em poesia!   VI Dos Mendes é a sua quina Que se finca com certeza... Numa casa portuguesa Que fica na minha esquina!

'VILANCETE A DARINHA'

Ai, priminha loiradinha, do sertão ao além-mar, brincávamos de rainha com coroa de jasmim-linha no galho do pé-de-itar. Eu subia por galho torto, tu dizia: “vem me ajudar!” Era o tempo ainda morto onde o fado era conforto e o futuro só brincar. Mas depois veio a mudança, e o teu corpo virou canção: de fadinha da esperança pra mulher de aliança no buquê da frustração. Hoje o trem bão da gota passa e eu fico na estação — tu, lindeza quase nórdica, de valquíria melancólica nem me dá mais atenção. E eu, com viola calada, na cidadezinha vou ficar. Com saudade enrabichada, e essa dor desmantelada que nem pinga dá pra sarar. Cê cresceu, virou poema, mas de mim quis se afastar… Teu xedô é flor do tema que exala e já condena quem ousou demais sonhar. *Da dupla Dan & Gepeto!

QUADRINHA DA VERINHA 2

Que nos doava aos montões... Roupa dos filhos, seu short... Às que 'vestia pro Jorge'; Com melhor das intenções!

DARA...

Prima distante e de grau... Noroeste ou 'Portugal'! Parece  fia  da Vera... E esse amor... hen, quem me dera...!